
O Jornalista - profissional da informação - numa redação de jornal pode ocupar desde a função de repórter até a de editor. O jornalista pode atuar em diversas áreas como: rádio, agência de notícia, assessoria de imprensa, televisão, jornal impresso e em sites de conteúdo jornalístico na Internet, dentre outras. Entretanto, para todas as funções, o domínio de técnicas de redação, capacidade de reflexão e bons conhecimentos da língua portuguesa são fundamentais. Ultimamente grandes manifestações, tanto favoráveis como contrárias no tocante – Obrigatoriedade do diploma de jornalista, vem destacando-se no cenário brasileiro.
Na concepção sindicalista o diploma funciona como uma reserva de mercado. Sabemos que atualmente faculdades de jornalismo despejam periodicamente recém - formados no mercado, é válido salientar que mais gente do que o mercado atual suporta. Hoje, há mais formados querendo ocupar seu espaço como jornalista do que se possa imaginar. O que ratifica que não foi de certa forma a exigência do diploma que levou a isso e sim as leis do mercado. A justificação do diploma que antes oferecia vem se dissolvendo com o passar dos tempos.
Percebemos que tudo isso que vem ocorrendo é reflexo do mercado saturado que pertencemos. A questão: “ser jornalista” não está impregnada apenas a atribuição do diploma, até por que para exercer a profissão não se faz necessário o mesmo. Então, paremos para refletir o quão polêmico é a abordagem desta temática, principalmente quando se associa a profissionais recém-formados, a profissionais que já estão no âmbito a tempo, a “profissionais” que mesmo sem diploma estão atuando há décadas no mercado jornalístico.
Todavia, duas perguntas precisam de respostas: Será mesmo, que para atuar como jornalista se faz necessário o diploma? Será que só os profissionais formados poderão atingir o grau de expectativa e responsabilidade quanto à profissão - jornalismo?
Quanto à primeira questão, sabemos que a obrigatoriedade do diploma jornalístico não passa de “balela”, e por que não: de um mito criado pelos profissionais formados ou ainda mais, pelos sindicalistas. Antes de cogitar-se essa possibilidade é necessário uma análise profunda das várias percepções concernentes a esta temática. Relevante seria se o sindicato dos jornalistas ressuscitasse das cinzas e trabalhasse pela classe, conseqüentemente estando mais presente no cenário brasileiro. Agindo de acordo com os preceitos jornalísticos. Assim, seria uma garantia de que os profissionais que estejam no mercado sejam aqueles que concluíram o curso de comunicação social/ Jornalismo. Esses profissionais terão a capacidade de discutir, criticar e avaliar o próprio exercício da profissão.Ou seja, se houvesse um sindicato mais participativo e menos eloqüente o mercado atual seria outro completamente distinto a este - por exemplo: um conselho espelhado em instituições sérias como a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, que com seriedade averigua os fatos e faz jus a classe.
Existem pessoas que atuam como jornalistas há décadas e que desempenham brilhantemente sua função, mas, que não tem formação acadêmica. Minha concepção com relação a esse aspecto é bastante realista – esses profissionais por tudo que já vivenciaram tem uma bagagem profissional inquestionável e bastante perspicaz. E não merecem serem descartados. Sou a favor da obrigatoriedade do diploma no cenário atual, em que os profissionais que venham a atuar no mercado sejam formados e carreguem consigo o seu diploma. E aos que não são, que se integre a uma universidade e conclua o curso de Jornalismo.
Partindo desse pressuposto, o segundo questionamento torna-se bastante relativo. Pois, existem fatores importantes que devem ser considerados. A demanda por vagas de emprego na área jornalística aumenta cada vez mais, porém o nível de muitas pessoas que ingressam no mercado de trabalho não oferecem um serviço qualificado, deixando em dúvida a sua credibilidade enquanto profissional.
Por outro lado, fica difícil prestar a devida atenção em como somos bombardeados por informações, que são veiculadas nos diversos meios de comunicação – rádio, telejornal, revista, jornais diários e essencialmente nos web sites, que têm uma característica peculiar, de noticiar fatos em “ tempo real”. No entanto, nem sempre paramos para analisar o profissional que está por trás do texto bem escrito – seguindo o preceito jornalístico, que nos transfere conhecimento satisfatório para podermos compreender, opinar e debater os assuntos de nosso interesse. O que classifica a base acadêmica como fundamental para o exercício de qualquer atividade profissional. A estrutura prática é sustentada pela teórica. Se não houver no cenário brasileiro contemporâneo a exigência do diploma de jornalista, os grandes beneficiários, seriam os donos das empresas de comunicação, que teriam a liberdade de contratar mão-de-obra não especializada podendo estipular qualquer valor salarial. Na minha concepção a grande prejudicada nessa história seria a sociedade num contexto geral, que sofreria com a falta de qualidade e credibilidade na informação.É válido salientar que alguns dos profissionais que estão a tempo exercendo a sua atividade como na área de comunicação e que não são formados, conhecem o lado prático da profissão até melhor do que outros que estão ingressando no mercado de trabalho. Apesar de sabermos que o diploma não constitui uma postura ética e nem diminui a possibilidade de erros.
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Layanna Florêncio
Imagem: Divulgação